Editando umas ideias...

A chamada “Era das Novas Tecnologias” está a revolucionar a cultura educativa, pelo que a sala de aula tradicional está a dar lugar a sala de aula virtual com plataformas de comunicação e recursos digitais on-line a partir de qualquer lugar. Contudo, enquanto uns defendem a urgente lógica da literacia tecnológica, outros apontam os seus impactos negativos. Se por um lado, os PCs e Internet são benéficos para os estudantes e a aprendizagem mais conveniente e flexível, por outro, os perigos levam a uma vida sedentária, dependência tecnológica e isolamento social, extinguindo o relacionamento/experiência social. Qual o ponto de vista com maior peso e mais sustentável? Ou, será que tal como cita o autor: “ Estamos a usar a tecnologia informática não porque ensina melhor, mas porque perdemos a vontade política de fundamentar a educação adequadamente?” (Paraskeva e Oliveira, 2006:23). Notoriamente, existe um conflito aberto entre os defensores e os críticos, baseado em concepções contraditórias de educação: Transferência de Informação VS Relacionamento Interpessoal.
No pressuposto de que o ensino é um direito universal, o acesso ao ensino superior assenta na cultura do mérito, no entanto este não se traduz em aplicabilidade óbvia. O mérito pelas capacidades passa para segundo plano nas classes mais avantajadas podendo “custear” essa premissa. A aparente acessibilidade do ensino às massas terá relação com metodologias actuais de ensino à distância? É, de facto, um formato cada vez mais atento às solicitações dos públicos. A EAD (Educação Aberta e a Distância) liga alunos a plataformas de aprendizagem, sendo uma forma de ensino estratégica para aumentar/manter o número de estudantes.
Autores relacionam o interesse financeiro entre Instituições educativas e empresas privadas com fins lucrativos transformando a realidade académica num “complexo académico-industrial” (Washburn, 2000, citado por Ross 2006:25), que evidencia “uma universidade modelada pelo mercado”. As instituições alegam objectivos socialmente aceitáveis: igualdade de oportunidades, participação e desenvolvimento pessoal, no entanto ambas as visões: estado de providência e neo-liberal remetem à educação lógicas indissociáveis dos poderes económicos e globalização, predominando o poder dos mais desenvolvidos sobre menos/vias de desenvolvimento. As instituições cativam para EAD com um marketing muito forte, assim, o conceito: equidade e valorização, fundamentais ao desenvolvimento da sociedade justa e democrática, são escamoteados/ultrapassados pelo conceito “encapuzado” que move o mundo – económico. Apesar dos objectivos mais/menos altruístas, a EAD, tem contribuído para maior número de adultos no ensino formal, mas, contrariamente ao esperável, não é equitativa face às classes menos favorecidas, não resultando no acesso à educação pelas massas. Coloca-se um ponto de interrogação na participação destas - o estudante on-line é um estudante autónomo, participante, assumindo o professor um papel mediador na construção do conhecimento, apontando o necessário, exigindo maior responsabilização do aluno na aprendizagem - uns estão mais preparados do que outros neste formato de ensino. Constata-se ser mais acessível a determinadas classes, colocando em causa a relação: acesso electrónico-participação. Assim, a EAD concebida para flexibilizar o ensino para massas, de baixo custo, para permitir o acesso a um maior número de pessoas de baixos rendimentos e socialmente vulneráveis “cai por terra” na participação, na transformação da sociedade e desenvolvimento da economia. O ensino à distância não respondendo a este objectivo, continua mais voltado para um público valorizado, qualificado e participativo. É positiva a mobilização e mediatização que alcança junto dos segundos, mas continuam a prevalecer as lógicas neo-liberais economicistas sem responder aos direitos de integração/participação de todos na sociedade global.
Bibliografia:Paraskeva, Oliveira (2008), Currículo e Tecnologia Educativa, Vol. 2, Edições Pedagogo Ldª, Mangualde

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